Confidências de um empreendedor

Confidências de um empreendedor

Por Ilan Goldman, Presidente da Pix e Diretor Financeiro da Assespro-RJ.

Fico me perguntando se todos os empreendedores de TI passam pelas mesmas angústias que eu.

Para contextualizar vou contar uma pequena estória.

Sim, comecei uma empresa de software do zero. Provavelmente igualzinho a
você.

Ela nasceu, cresceu e se fez respeitada. Inovou, perdeu, ganhou. Num ambiente globalizado, onde o mundo concorre com você.

No caminho enfrentamos diversas quebras de paradigma, de ambiente computacional, de tecnologia, de linguagem, de forma de comercialização, de gestão, de tudo. Foram momentos de tensão que colocavam em cheque se a empresa seria capaz de sobreviver com os novos tempos que se anunciavam. Soluções inovadoras que chegavam com o rótulo de “jogue fora
tudo que você aprendeu até então”. Muitas dessas soluções não duraram mais do que alguns meses.

Cada ameaça representava um novo desafio, mais investimentos e incertezas. Não bastasse os desafios tecnológicos havia também o ambiente de negócio no Brasil.

Empresas fechando as portas, clientes adotando soluções de fora, preço dos serviços desabando, profissionais abandonando a nossa profissão, por falta de reconhecimento.

Mesmo assim, estou aí. Vivo.

Olho pro mundo e me pergunto porque em outros lugares funciona diferente. Porque pessoas que trabalharam comigo conseguem rapidamente emprego fora do Brasil, e são reconhecidas como profissionais capazes, bem preparados, com qualidade e bom poder de entrega?

Faço um paralelo com a indústria automobilística. Países que investiram em tecnologia para desenvolver seus próprios carros são os mesmos que frequentam a lista dos países mais desenvolvidos do mundo. Seus cidadãos tem qualidade de vida invejável. Tomamos por aqui a decisão de sermos um oceano de montadoras. Com a desculpa de que se trata de empregos de bom valor agregado. Não produzimos riqueza, apenas giramos a dos outros. Sentimos o cheiro e damos tchau.

Se queremos um Brasil de primeiro mundo não podemos perder a oportunidade da indústria do conhecimento. Não é um desejo nem um capricho. É uma decisão estratégica para transformar a vida de todos os cidadãos. Repito, de todos os cidadãos. É, portanto, uma escolha do país.

Sinto que faço a minha parte. Uma mosquinha, é verdade. Sou um idealista. Meus amigos dizem que sou teimoso. Só porque acredito que o Brasil pode chegar lá.

Se você é daqueles que pensam como eu, permita-me compartilhar meus devaneios.

Prometo todo dia a mim mesmo que não vou esmorecer.

Sonho que vou acordar e ver que o Brasil escolheu o caminho da inovação. Uma decisão madura, consciente, verdadeira, baseada na meritocracia, na competência, na capacidade criativa, no investimento transformador.

Ninguém fará nada por nós, que não nós! Vamos?

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