A importância das parcerias e da ética em nosso setor

A importância das parcerias e da ética em nosso setor

Por Marco Aurélio, Sócio-Fundador da Go2web empresa associada e parceira da ASSESPRO-RJ.

Diante das páginas de jornais e revistas repletas de escândalos de corrupção, é comum ouvir por aí que estamos vivendo uma crise ética. Porém, nunca se falou tanto a respeito da ética; jamais ela foi tão cobrada e tão refletida. A ética vive seu auge, e torna-se peça fundamental em diferentes setores da sociedade. Na nossa área, da tecnologia da informação e comunicação, não poderia ser diferente.

Definida como a “dimensão da filosofia que reflete sobre a moralidade” (CORTINA, Adela) ou como “a ciência do comportamento moral do indivíduo” (NALINI, José Renato), a ética é muito mais do que um conjunto de normas e valores a serem seguidos por cidadãos ou empresas. Ainda que muitos se esforcem na criação de códigos e manuais, agir eticamente se aprende em casa e na escola. Mas, também surge no dia a dia, aparece de supetão em situações cotidianas. Caso fosse uma disciplina universitária, seria do tipo prática e não teórica.

Aqui, irei retratar casos em que a ética surge como peça fundamental. Não que haja situações em que não seja necessário ter ética. O mercado da tecnologia sempre vai depender de empresas e indivíduos que ajam eticamente para funcionar de maneira saudável. Às vezes, porém, ela é mais do que importante: é vital, condição sine qua non para o sucesso.

Vejamos as parcerias. Somos dependentes delas. Com uma economia tanto regional quanto mundial enfraquecida em 2015, muitas empresas precisam unir forças para se tornarem competitivas. Seja em jobs específicos seja em fusões de fato. Como trocar ideias sem temer que a mesma seja “roubada”?

Como abrir as portas de sua empresa sem a certeza de que não haverá espionagem do modo de produção?

Se você deu como resposta contratos de confidencialidade, sugiro uma ida ao Vale do Silício, onde pitchings são feitos na frente de dezenas de empresas, concorrentes e estrangeiras. Ali, a ética, o princípio da colaboração e o timing para fazer negócios pautam o bom desempenho dos brainstorms e abrem caminho para construção de parcerias.

Em um mercado em que micro e pequenas empresas sentem dificuldade em manter equipes completas, a solução é juntar o seu software com o meu conteúdo; o seu design inovador com a minha mão-de-obra qualificada. Com tantas frases de efeito uma, por um bom tempo, me tirou o sono: “Pense grande, comece pequeno e cresça rápido”. Sem dúvida a parte que ninguém ainda contou é como crescer rápido, e é aí que entra a parceria.

A ética, em vez de ser um inibidor de negócios barrando agressividade comercial, pode ser um diferencial competitivo, na medida em que hoje muitas parcerias elegem a ética como pré-requisito e a imagem ética conta para aceitação no Novo Mercado da bolsa de valores e na preferência de compra pelos consumidores, ou seja, em vez de se limitar a um campeonato moral, a ética hoje é sinônimo de mais e melhores negócios.

Na área trabalhista, a ética deve guiar tanto empregadores como empregados. Os primeiros, por exemplo, devem respeitar o tempo de aviso prévio de seus novos contratados, entendendo que, muitas vezes, a empresa anterior precisa de tempo (previsto na Lei) para buscar e treinar novos colaboradores. Já os empregados (principalmente, os jovens) devem se lembrar de que mais importante do que entrar numa empresa é saber sair dela.

O Código de Ética da Assespro prevê no Art. 18 do Capítulo 4 – Relacionamento com empresas concorrentes:

A empresa associada à Assespro jamais pratica, deliberadamente, qualquer ato que possa causar prejuízo ou constituir deslealdade com outra empresa.

E no Art. 24 do Capítulo 6 – Sobre funcionários e colaboradores:

Todo funcionário e colaborador de empresa associada à Assespro deve manter sigilo sobre todas as informações sobre os clientes, bem como da empresa para a qual presta seus serviços, mesmo após o término de seu vínculo de trabalho.

Outro setor palpitante onde a ética é muito cobrada hoje em dia é o da relação entre o público e o privado. É o centro da discussão de mensalão, petrolão e lava jato. E a primeira coisa que a PF apreende ao fazer busca e apreensão em empresas são computadores, HDs, pendrives e todo tipo de arquivo digital.

Talvez por isto, tenha sido regulamentada em março deste ano a Lei Anticorrupção (Lei no 12.846/2013), que obriga as empresas a criar áreas de compliance e canais públicos para denúncias de violação de códigos de ética.

Aqui cabe lembrar os artigos 4 e 5 do Capítulo 4 do Código de Ética da ASSESPRO:

Artigo 4. A empresa associada à Assespro tem plena consciência que a tecnologia age diretamente sobre a qualidade de vida no mundo; e do papel que lhe cabe para o desenvolvimento econômico, técnico, científico e social do país, bem como de seus deveres para com a sociedade.

Artigo 5. A empresa associada à Assespro aceita a responsabilidade de tomar decisões condizentes com a segurança, a saúde e o bem-estar público, e em divulgar prontamente os fatos que puderam pôr em perigo a sociedade ou o meio-
ambiente.

A tecnologia é um campo rico para a ética. Seria preciso mais algumas páginas para discutir onde ela entra na temática da privacidade, por exemplo, uma vez que não são poucos os casos que vão da divulgação de fotos íntimas à espionagem de estados-nações. Formar profissionais com senso ético, não se resolve com uma cadeira na faculdade. Mas passa, sim, pelo contato de alunos com situações do dia a dia contadas por aqueles que, claro, souberam agir eticamente diante dos dilemas da área.

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