Melhores práticas: a favor ou contra?

Melhores práticas: a favor ou contra?

Por Ilan Goldman, Vice Presidente da Assespro-RJ e Presidente da Pix.

Processos e mais processos.

Temos uma crise de processos. Não me refiro aos processos judiciais ou de desvio de conduta. Mas a processos para funcionamento da empresa.

Gestores querem comprar práticas embutidas nos sistemas que são comercializados prontos. Estes executivos acham que as práticas podem não ser as mais perfeitas mas serão certamente melhores do que as utilizadas na empresa. Querem mudar procedimentos que consideram inadequados. Por vezes, preencher vazios que são realizados de forma pitoresca e sem governança. Riem (ou choram) do inexplicável que resulta da ausência de procedimentos.

Assim o negócio é fechado e as práticas são colocadas em… prática! Deste momento em diante começa uma verdadeira batalha interna. Pessoas acostumadas a fazer de outra forma, bombardeiam as soluções com argumentos de que antes era melhor, mais fácil, mais produtivo.

Quem tem razão? os dois e nenhum dos dois. Como assim? de fato, os sistemas embutem conceitos e caminhos que deveriam produzir um ambiente mais controlado. Os executivos aqui tem razão. A empresa tem processos que são particulares e que precisam ser adaptados. Os funcionários aqui tem razão. Daí surgem as customizações que devem ser bem justificadas. Podem ser implementadas com o cuidado de não desvirtuar o objetivo final. Ponto de atenção!

Entretanto, tanto executivos quanto funcionários precisam mudar a sua cultura e acreditar no novo processo proposto. O sistema não é rígido, fechado, inflexível, que é o argumento quando o sistema não “aceita” caminhos alternativos.

Quantas vezes escutei sobre obviedades. “É óbvio que deveria aceitar isto ou aquilo”. O processo proposto requer o cumprimento de regras, que existem por alguma razão. Sem regras e limites como podemos chegar ao objetivo comum?

Sou favorável a governança. Mas existe um preço a pagar. Em primeiro lugar, um preço cultural. Se não pode é porque não pode. Se quer que possa, então justifique com argumentos que não comprometam o resultado.

Indutores de práticas não são vilões. Ao contrário, querem o sucesso da empresa. A maturidade da empresa está em encontrar o ponto de equilíbrio entre melhores práticas e suas necessidades específicas.

Melhores práticas é sinônimo de mudança. É um processo contínuo que deve ser perseguido a ferro e fogo.
Resulta em conhecimento, controle e qualidade. Resulta em transparência e potencializa a gestão.

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