O que as “100 Startups To Watch 2018” falam sobre o ecossistema de empreendedorismo brasileiro?

O que as “100 Startups To Watch 2018” falam sobre o ecossistema de empreendedorismo brasileiro?

Por Claudia Wilson, Diretora de Inovação e Empreendedorismo da Assespro-RJ, CEO da BeezStudio, empreendedora, mentora e connector.

O ecossistema brasileiro de statups acordou agitado na quarta-feira, dia 4 de abril, com a lista das 100 Startups To Watch Brasil 2018, que é o resultado de uma parceria entre a Pequenas Empresas & Grandes Negócios e a Época Negócios, da Editora Globo e a Corp.vc.

Essa pesquisa inédita no Brasil se iniciou em outubro de 2017, teve cinco meses de duração e contou com mais de 1,3 mil inscrições. O ranking traz ainda um levantamento inédito do ecossistema de tecnologia e inovação do país, incluindo o perfil dos fundadores, rodadas de investimentos e volume de faturamento das startups brasileiras, sendo um excelente ferramental para ser utilizada por todo o ecossistema, para fomentar soluções em diversos setores, aumentar investimentos e apoiar aceleradoras no foco de seus programas.

Vários atores do ecossistema alardearam suas vitórias; o programa Inovativa da MDIC contou com 37% das startups selecionadas, o que demonstra como este programa tem relevância neste cenário!  São Paulo contou com 52%, Paraná com 7% e Rio de Janeiro com 4%, sendo uma das startups, do interior do estado! Ah, a incubadora da UFRJ também teve uma nesta equação, dando boas referências para o ecossistema de startups do Rio de Janeiro.

A indicação da localização das startups se baseou na cidade onde a sede se encontra, despertando a curiosidade de identificarmos onde cada uma das ideias nasceu!  No Rio de Janeiro, por exemplo, temos perdido muitas pratas da casa para outros ecossistemas nacionais e internacionais; uma das principais razões é a questão econômica do Estado, além de um certo no show dos investidores cariocas no próprio Rio.

Fonte: valor.com.br

Entretanto, o ecossistema brasileiro conta com um número muito maior que as 1,3 mil startups que se inscreveram para esta primeira pesquisa; tenho meus palpites do porquê um número baixo, que não vêm ao caso agora. Ainda assim, este é um resultado bastante expressivo, que nos revela muitas informações importantes, como, por exemplo, a identificação de catorze setores econômicos representados (agronegócio, educação, finanças, gestão, impacto, indústria, lazer e turismo, logística, marketing, moda e beleza, realidade virtual, saúde e bem estar, serviços e tecnologia da informação) que podem ser agrupados conforme representatividade setorial, o que nos ajuda a identificar a maturidade das startups nos setores.

O Grupo 1, aqueles acima de 10%, temos os setores de Marketing, Saúde e Bem Estar, Impacto e Serviços.

O Grupo 2, aqueles que possuem representatividade entre 10% e 5%, que contam com Gestão, Finanças, Educação, Logística, Agronegócios e Tecnologia da Informação. Estes setores têm, nos últimos anos, apresentado grande crescimento em número de soluções, claro que com destaque para finanças, onde se observa o grande número de startups, programas de aceleração, investidores e eventos relacionados a FINTEC; com certeza finanças será destaque na próxima pesquisa.

No Grupo 3 ficam os setores cuja representatividade foi menor que 5%, onde identificamos Lazer e Turismo, Indústria, Realidade Virtual e Moda e Beleza. É interessante notar que já há destaque para startups que utilizam uma tecnologia emergente como a realidade virtual. Para o próximo ano, minha aposta é que haja uma boa representatividade em Inteligência Artificial.

Outros ecossistemas mundiais já apresentaram suas listas para 2018, tais como Índia e Austrália, além de algumas cidades européias como Lisboa, Paris, Barcelona, Londres, Helsinki, Amsterdam, Stockholm, Tel Aviv, Istambul e, é claro, o Silicon Valley. Analisando as “To WATCH” das listas mencionadas, pode-se observar que em termos de diversidade de soluções setoriais e tecnologia, o Brasil está muito bem!

Ainda dentro da pesquisa, as principais dificuldades mencionadas pelas startups do ranking são: captar investimentos para o desenvolvimento de produtos e estratégias comerciais, formar base inicial de usuários pagantes, contratar e reter profissionais qualificados (principalmente programadores e analistas) e os custos de infraestrutura física e tecnológica. Todas essas dificuldades são conhecidas e partilhadas por todos os ecossistemas mundiais, ainda que em escalas e graus diferentes.

O ecossistema Brasileiro está amadurecendo com certeza, vale lembrar que tudo tem seu tempo.  Temos uma situação confortável no sentido de não sermos o primogênito e podemos aprender com os acertos e erros de outros ecossistemas mais amadurecidos, que estão nesta estrada há décadas.

Esse aprendizado permite que o amadurecimento do ecossistema brasileiro seja acelerado; entretanto não podemos acreditar que em pouco tempo sairemos das últimas posições para as primeiras, uma vez que começamos posteriormente.

Estamos indo muito bem! Chegaremos lá com toda nossa diversidade de atores e suas diversas ações. Pesquisas como esta trazem reflexões e análises que certamente ajudam a acelerar e amadurecer nosso ecossistema Brasileiro e, principalmente, conhecê-lo.

Confira também:

As 100 Startups Brasileiras para ficar de olho

As 100 Startups Indians para ficar de olho

As 100 Startups Australianas para ficar de olho

As 100 Startups Europeias para ficar de olho

As Startups do Vale do Silício para ficar de olho em 2018

Sem comentários

Fazer comentários

Associe-se agora mesmo!